Entrevista Scope: Dra. Ivani explica os tipos de cistos de ovário e tratamentos

Entrevista Scope: Dra. Ivani explica os tipos de cistos de ovário e tratamentos

Os cistos ovarianos, na maioria das vezes, são funcionais e não causam problemas. Porém, existem alguns tipos que provocam complicações e precisam de tratamento. Em entrevista, a Dra. Ivani Pires de Andrade Kehdi explica as diferenças entre os cistos, quais são os tipos mais preocupantes e quando a cirurgia é necessária. 

Qual a causa dos cistos de ovário? Por que se desenvolvem e quais tipos são preocupantes?

Cistos de ovários podem ser funcionais, ou seja, estão relacionados ao funcionamento do próprio ovário. Sabemos que em cada ciclo menstrual existe o aumento de tamanho do ovário produzido pela presença de um cisto folicular, ou cisto da ovulação. Em volta do óvulo que está maduro e vai sair do ovário (ovulação) existe um acúmulo de líquido que é chamado de cisto folicular. Pois bem, em 80% das vezes nas quais fazemos diagnóstico por imagem de cisto ovariano podemos estar diante de um cisto funcional ou da ovulação, o qual desaparecerá assim que a ovulação ocorrer.

O segundo tipo mais frequente trata-se do cisto orgânico benigno, ou seja, não depende do funcionamento do ovário e cresce com ou sem atividade hormonal ovariana. Os mais frequentes são: os cistos de endometriose (endometrioma); os cistoadenomas serosos, preenchidos por líquido límpido; os cistoadenomas mucinosos, que são preenchidos por líquido mais espesso (mucina) e podem crescer muito; e os teratomas, que são formados a partir de células remanescentes do período embrionário e podem conter tecidos como cabelo, gordura, dentes, osso etc… Por isso o nome teratoma, derivado do grego (teratos = monstro).

Todos estes cistos citados acima são tratados por videolaparoscopia com mínima invasão e rápida recuperação da paciente.

Na maioria das vezes o procedimento realizado é uma ooforoplastia, que significa uma plástica do ovário. Retira-se o cisto e preserva-se o tecido ovariano normal.

O terceiro grupo de cistos ovarianos são os piores, felizmente representam cerca de 1% do total. São os tumores malignos que podem ser divididos em 2 subgrupos: os tumores borderline, que são de potencial maligno, mas em geral apresentam boa evolução; e os tumores malignos (carcinomas, sarcomas etc), que têm evolução pior e devem ser tratados de forma radical o mais precocemente possível.

Como um cisto pode ser detectado? Qual o risco de tornar-se um câncer?

Os cistos já nascem sendo aquilo que são. Ou seja, nenhum cisto benigno irá se tornar um câncer.

De modo geral, são detectados ou pelos sintomas (dor, pressão, peso em baixo ventre, alterações do ciclo menstrual) ou por exames de imagem (ultrassom, tomografia, ressonância).

Quais complicações podem surgir em decorrência de um cisto? 

Nos cistos benignos, ou seja, aqueles que podem crescer muito, dois tipos principais de complicações podem existir.

A rotura, isto é, o cisto se rompe e seu conteúdo se espalha dentro do abdômen. Isto causa muita dor e, por vezes, a paciente tem que ser submetida a uma cirurgia de urgência. 

Outra complicação dos cistos benignos é a torção do ovário. O ovário se torna pesado e dá uma volta em torno de si próprio, torcendo os vasos que levam sangue para ele, isso interrompe o fluxo sanguíneo e provoca muita dor. Além disso, pela falta de sangue e de oxigênio, o ovário pode sofrer um enfarte.

Já nos cistos malignos deve-se ter em mente que, quanto mais rápido tratarmos maior será a sobrevida da paciente.

Cistos ovarianos podem prejudicar a gravidez?

Cistos de ovário devem ser sempre investigados e operados quando necessário. Se uma paciente tiver uma gravidez e estiver com um cisto de ovário, avaliaremos o cisto. Se não apresentar riscos, deixaremos para operar depois; mas se for um cisto de ovário com características de malignidade, pode-se discutir com a mãe, inclusive, a necessidade de interrupção da gestação ou antecipação do parto. Obviamente estes casos mais graves e delicados são analisados um a um e discutidos com a paciente.

Todo cisto de ovário precisa ser operado? Quais são os tratamentos possíveis?

Os cistos funcionais podem ser tratados com inibição da ovulação, com pílulas anticoncepcionais, para ver se regridem.

Já os cistos benignos de maior volume devem ser tratados por cirurgia. Hoje tratamos 99% dos casos de cistos benignos por videolaparoscopia ou robótica, com excelentes resultados.

Os cistos suspeitos ou francamente malignos são tratados por cirurgia que pode ser aberta ou videolaparoscópica e, em geral, terão tratamento complementar através de quimio e/ou radioterapia e/ou imunoterapia. Isto depende da análise do tipo de tumor e ao tipo de tratamento ao qual ele é mais sensível. A partir destes testes, pode-se indicar o tratamento complementar mais adequado.

Qual técnica cirúrgica é a mais adequada? 

A técnica cirúrgica mais adequada será discutida com a paciente. Pode-se operar cistos e/ou tumores de ovário por cirurgia aberta, videolaparoscópica ou robótica. Depende do tipo de tumor, do seu tamanho, dos equipamentos disponíveis e do método ao qual o cirurgião esteja mais adaptado. A cirurgia pode ser muito bem feita por qualquer uma das técnicas disponíveis.

É possível preservar o ovário?

Em casos de cistos não sejam malignos, é sim possível preservar o ovário. Desde que exista ovário a ser preservado. Explico: em cistos benignos muito grandes, às vezes não sobra ovário, apenas um grande cisto, então acaba-se por retirar o ovário, pois o que resta não tem mais tecido ovariano capaz de produzir óvulos ou hormônios.

Nos francamente malignos é retirada a totalidade dos ovários.

Nos tumores borderlines (potencialmente) malignos, se a paciente for jovem retiramos somente o ovário acometido. Conservamos o outro ovário, se não tiver tumor, com perspectiva de reprodução futura.

Qual a recomendação para as pacientes? 

A recomendação é que consultem o ginecologista anualmente pois, assim podemos detectar eventuais problemas precocemente. Em caso de dor, sintomas ou alterações menstruais, devem buscar ajuda rapidamente. Devido à pandemia do coronavírus, orientamos que as pacientes fiquem em casa e façam contato com a Scope por telefone ou por meio do nosso Whatsapp de urgência. As cirurgias eletivas estão suspensas, mas estamos de plantão e atendendo casos ginecológicos urgentes.  

A Scope atua no diagnóstico e tratamento de patologias ginecológicas através de técnicas modernas e minimamente invasivas. Entre em contato e agende a sua consulta online ou pelo telefone (11) 3849-1818.

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