Como o coronavírus afeta à saúde da mulher

como o coronavírus impacta na saúde da mulher

O assunto é: Como o coronavírus afeta à saúde da mulher.

Atualmente, o impacto da pandemia do novo coronavírus pode provocar sérios danos à saúde mental, principalmente nas mulheres, que já possuem uma pré-disposição para desenvolver desequilíbrios hormonais por conta de picos de estresse e ansiedade. Nesse ínterim, o isolamento social, o medo do contágio, a perda de renda e a morte de pessoas queridas são alguns fatores que contribuem para o surgimento de quadros como pânico e depressão.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), as mulheres correm um risco particular de apresentar sofrimento psicológico relacionado à Covid-19. Principalmente aquelas que tiveram que assumir diversas funções durante esse período, ou seja, a educação dos filhos, trabalho e tarefas domésticas.

Além disso, uma pesquisa realizada pela Kaiser Family Foundation, nos EUA, demonstrou que 53% das mulheres afirmaram que tiveram o perfil emocional abalado, contra 37% dos homens.

Segundo a Dra. Ivani Pires de Andrade Kehdi, médica ginecologista da Scope clínica de ginecologia mini-invasiva, as mulheres têm uma prevalência maior de distúrbios mentais, como ansiedade e depressão, ao longo do seu período fértil. Isso acontece porque situações intensas de pressão psicológica provocam um pico de cortisol e adrenalina na região do cérebro responsável pelo controle dos hormônios, podendo desequilibrar toda a cadeia hormonal da mulher.

Quando esses desequilíbrios afetam as fases da vida da mulher?

Esses desequilíbrios afetam todas as fases da vida da mulher, incluindo:

  • jovens que, por conta do cenário pandêmico, passam a ter o ciclo menstrual desregulado;
  • aquelas que querem engravidar, uma vez que acabam desenvolvendo um desequilíbrio hormonal, comprometendo a regularidade da ovulação;
  • as que já são mães e muitas vezes param de amamentar por influência do estresse;
  • aquelas que estão vivenciando a pré-menopausa, por terem essa sobrecarga de papéis e apresentarem distúrbios emocionais e de humor;
  • bem como as mulheres que estão na menopausa, período no qual a baixa hormonal a deixa mais vulnerável a desenvolver quadros de depressão.

“Essas inconstâncias hormonais são fatores que podem gerar tristeza, irritação e agravar sentimentos depressivos. Por isso, é importante manter o acompanhamento com um especialista de sua confiança. O ginecologista tem um papel-chave na saúde integral da mulher e deve atentar para sinais que podem comprometer sua saúde no futuro”, afirma a especialista.

Além do acompanhamento profissional, a rede de apoio dessas mulheres é fundamental para ajudá-las a enfrentar essa crise. Composta por amigas, parentes e colegas de trabalho, bem como o grupo de pessoas com as quais convive deve ficar atento aos quadros de transtorno psicológico.  “A atenção aos sinais de distanciamento e fragilidade emocional deve ser praticada por todos, não só com foco nas mulheres. É um ato de compaixão olhar a necessidade emocional do outro e alertar quando for necessário”, reforça a Dra. Ivani, que atua junto aos profissionais da clínica Scope para assistir suas pacientes de forma integral e com um olhar diferenciado sobre questões emocionais relacionadas.

A importância do acompanhamento médico também na pandemia.

No entanto, não é só o fator emocional das mulheres que está sendo afetado com essa pandemia, a parte física também. Com esse cenário, grande parte das mulheres deixaram de lado a saúde ginecológica. Essa falta de cuidado compromete o rastreamento e acompanhamento de doenças ginecológicas. Segundo a Dra. Ivani, muitas mulheres estão com medo de procurar assistência médica e ficarem mais expostas ao coronavírus. Porém, alguns sintomas e cuidados não podem esperar. “As pacientes que estão com muito atraso na realização deste exame de rotina devem procurar um ginecologista. Principalmente se apresentarem algum sintoma diferente, como sangramento após as relações sexuais ou sangramento vaginal intermitente, secreção vaginal anormal, bem como dor abdominal.” reforça a especialista.

A situação é alarmante. No caso dos tumores ginecológicos, por exemplo, o diagnóstico precoce aumenta a chance de tratamento e cura. A Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) estimam que cerca de 50 mil novos diagnósticos de câncer deixaram de ser feitos no país nos últimos meses.

“O câncer de colo de útero, o terceiro mais frequente na população feminina e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), pode ser rastreado por meio do exame preventivo do colo uterino, assim como pelo Papanicolau. Basta a mulher fazer um acompanhamento ginecológico adequado, apesar da pandemia”, afirma.

Concluindo como o coronavírus afeta à saúde da mulher…

A especialista reforça que, tanto os danos clínicos causados pela falta de cuidado, quanto os desdobramentos psicológicos decorrentes da atual pandemia afetarão muitas mulheres, mesmo após o fim do isolamento social.

Acima de tudo é importante que as mulheres busquem acompanhamento especializado para diagnosticar e encaminhar casos relacionados à transtornos mentais como fobias, TOC (transtorno obsessivo compulsivo), pânico, transtorno de ansiedade generalizada (TAG), transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) bem como a depressão.

“A pandemia é um período de transição de toda a sociedade. É fundamental incorporar esse cuidado emocional à saúde da mulher para garantir uma sobrevivência psicológica pós pandemia”, conclui Dra. Ivani.

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